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sábado, 13 de maio de 2017

Wikileaks oferece 100 mil dólares por eventuais gravações de conversas entre Trump e Comey


O WikiLeaks anunciou estar disponível para pagar 100 mil dólares (91,4 mil euros) por eventuais gravações de conversas entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-diretor do FBI James Comey, despedido na terça-feira.

A possibilidade de existirem gravações das conversas foi insinuada na sexta-feira pelo próprio Donald Trump que, numa série de 'tweets', afirmou que seria melhor James Comey torcer para que não haja "cassetes" das conversas antes de começar a fazer revelações aos 'media'.

Fontes próximas de James Comey, citadas pela cadeia televisiva CNN, garantiram que o ex-diretor do FBI "não está inquietado" com a ameaça de Donald Trump, indicando que, "se houver alguma cassete, não há nada que o preocupe" relativamente ao conteúdo.

Com a dúvida instalada sobre a existência de gravações, o WikiLeaks anunciou, através do Twitter, oferecer 100 mil dólares (91,4 mil euros) por elas.

Trump despediu Comey na terça-feira sob o argumento de que geriu mal a investigação contra Hillary Clinton pelo uso de contas privadas de correio eletrónico quando era secretária de Estado em comunicações com informação classificada como confidencial.

Não obstante, o despedimento gerou uma grande controvérsia, dado que Comey liderava a investigação às alegadas relações entre a equipa de campanha eleitoral de Donald Trump e o Governo da Rússia.

Na quinta-feira, numa entrevista à televisão NBC, Trump afirmou sempre ter tido a intenção de despedir o diretor do FBI, o qual descreveu como "um gabarola, um fanfarrão".

A decisão do Presidente dos Estados Unidos de demitir o chefe do FBI suscitou uma onda de indignação particularmente entre os representantes do Partido Democrata e colunistas de opinião na imprensa norte-americana.

O Partido Democrata chegou mesmo a comparar o episódio à tentativa de encobrimento feita pelo Presidente Richard Nixon no caso Watergate.

Segundo escreveu, na sexta-feira, o jornal New York Times, Donald Trump exigiu ao ex-diretor do FBI James Comey "lealdade" quando chegou à Casa Branca, mas este apenas lhe ofereceu "honestidade", o que ter-lhe-á custado o cargo.

Essa conversa teve lugar durante um jantar privado uma semana depois da tomada de posse, em 20 de janeiro, de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos, segundo explicou James Comey a alguns colegas seus que falaram ao jornal norte-americano sob a condição de anonimato, após o despedimento.

Segundo essas fontes, num determinado momento da conversa, depois de se gabar da sua vitória nas eleições e das "multidões" que juntava nos seus comícios, Trump pediu a Comey que lhe "jurasse lealdade", o que Comey negou, prometendo-lhe, em vez disso, que seria sempre "honesto" com ele, embora insistindo que não seria "de fiar" no sentido político do termo.

Insatisfeito com a resposta, Trump instou-o mais duas vezes a jurar-lhe lealdade, mas Comey não cedeu, sempre de acordo com a versão do ex-diretor do FBI relatada por colegas ao New York Times.

Comey acredita agora que esse jantar foi "um presságio da sua queda", segundo o jornal nova-iorquino.

Sarah Huckabee Sanders, uma porta-voz da Casa Branca, disse ao diário que a versão do ex-diretor do FBI não é um "relato preciso" do que sucedeu no referido jantar e que o Presidente dos Estados Unidos nunca lhe exigiria "lealdade pessoal", mas sim lealdade ao povo e à pátria.

O despedimento do diretor do FBI - algo que só tinha acontecido uma vez na história dos Estados Unidos - teve lugar um dia antes de Donald Trump receber na Casa Branca o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov.


Ataque informático mundial: empresas portuguesas afetadas


Vírus afeta apenas os utilizadores que tenham sistema operativo da Microsoft

Várias empresas portuguesas estão a ser atingidas pelo ataque informático que está a afetar serviços a nível mundial. O DN sabe que vários serviços da PT, EDP, Santander e a consultora KPMG foram afetados e os trabalhadores de muitas empresas estão a receber alertas para um software malicioso que está a tentar "entrar" nos computadores para lhes encriptar os ficheiros, exigindo depois um "resgate" em bitcoin para libertar os documentos.

No caso da PT, por exemplo, centenas de funcionários que trabalham em vários serviços da operadora em todo o país estão sem sistema informático desde as 12:30, mas os serviços residenciais e de comunicações para os clientes não estão a ser afetados.

O vírus "Wannacry" afeta apenas os utilizadores que tenham sistema operativo da Microsoft. O ataque aproveita uma vulnerabilidade de um protocolo chamado SMB, estendendo-se depois a outras máquinas Windows na mesma rede.

Este tipo de ataque, conhecido por "ransomware" - porque "sequestra" os ficheiros no disco do computador e pede resgate - também está a afetar inúmeras empresas em Espanha, sobretudo a Telefonica, mas também a Iberdrola ou o BBVA.

A Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica da Polícia Judiciária já está a investigar o ataque. Segundo fonte da PJ, os inspetores estão a trabalhar em conjunto com o Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS).

Ao DN, Pedro Veiga, coordenador do CNCS, revelou que há suspeitas de que a ação possa ter tido origem no Brasil. Porém, como lembrou o mesmo responsável, "neste tipo de ataques é muito difícil encontrar a origem", uma vez que os piratas podem perfeitamente dissuadir online a sua base de operações.

Fonte oficial do Ministério da Administração Interna confirmou que o governo está a acompanhar a situação através das autoridades competentes e que a rede nacional de segurança interna não foi atacada por qualquer ciberataque.

O Centro Criptológico Nacional de Espanha, um organismo que pertence aos serviços de inteligência, emitiu entretanto um comunicado alertando para este "ataque massivo" e referindo que a Microsoft já tinha avisado para esta vulnerabilidade no passado dia 14 de março, aconselhando a que os utilizadores fizessem a atualização dos sistemas operativos ou, em caso de dúvida, desligassem o cabo de rede dos computadores. O nível de ciberameaça, segundo o organismo espanhol, é "muito alto".

A multinacional de serviços tecnológicos Claranet alertou que as empresas de telecomunicações são o principal alvo do ataque informático. "Alertamos para o facto de estar em curso um ciberataque de grandes dimensões, dirigido principalmente a empresas de comunicações mas também com outros alvos em vista", refere a informação enviada pela Claranet aos clientes, a que a Lusa teve acesso.

A Claranet - empresa fundada no Reino Unido e que opera em vários países europeus - diz que "ainda não está completamente apurado o vetor de ataque", podendo o vírus ('malware') ter várias origens, e pede que haja "atenção redobrada" na navegação pela Internet e abertura de anexos de correio eletrónico bem como a comportamentos "anómalos" dos equipamentos, que deverão ser encerrados de imediato.

Já na tarde desta sexta-feira, os médicos de vários hospitais britânicos reportaram situações idênticas de "sequestros" nos computadores, tendo sido obrigados a desviar doentes para outras unidades de saúde. Segundo o The Guardian, o ataque em "larga escala" está a acontecer em hospitais públicos de todo o Reino Unido.


EternalBlue. A ferramenta da NSA usada nos ataques informáticos de hoje


Código desenvolvido pela agência secreta americana foi revelado ao mundo em abril

O "vírus" informático Wannacry, que esta sexta-feira está a atacar milhares de computadores em vários países da Europa, terá na base uma ferramenta de espionagem desenvolvida pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla inglesa) americana.

O código, designado EternalBlue, fez parte de um conjunto de programas das "secretas" americanas que foram revelados em abril pelo grupo de "piratas" informáticos Shadow Brokers, como noticia a Forbes.

O EternalBlue utiliza uma vulnerabilidade que existia nos sistemas operativos Windows que deixava transmitir o software malicioso - neste caso um "ransomware" que bloqueia o computador infetado até que seja introduzido um código - entre os computadores da mesma rede.

Quando o código foi divulgado, já a Microsoft tinha há cerca de um mês lançado uma correção para os seus sistemas que "tapava" essa vulnerabilidade.

Ao que tudo indica, os computadores afetados - quase na totalidade de empresas ou serviços públicos - não tinham nunca sido atualizados, estando assim vulneráveis.


sexta-feira, 12 de maio de 2017

“Big Brother is Watching You”: Microsoft aposta num novo sistema de inteligência artificial

Resultado de imagem para “Big Brother is Watching You”

Nova tecnologia funcionará como uma espécie de "olho" inteligente que localiza todos os momentos dos trabalhadores e do material e de forma a "melhorar a segurança e bem-estar" da empresa enviará alertas em caso de risco para o normal funcionamento da empresa.

A multinacional de tecnologia Microsoft quer desenvolver um novo sistema de inteligência artificial para aumentar a segurança dentro do ambiente de trabalho. A ideia anunciada esta quarta-feira pelo o CEO da Microsoft, Satya Nadella, consiste em programar uma câmara que integra uma série de serviços da companhia, como o Azure Stack, Azure IoT Edge e o Microsoft Cognitives Services, para que estas passem a fornecer informações possam identificar as pessoas e os objetos presentes no local e prevenir possíveis acidentes.

“A tecnologia digital e o seu impacto nas nossas vidas é enorme nos dias de hoje. A nossa economia, sociedade, agricultura ou a medicina de precisão, estão a ser moldadas pelos avanços da tecnologia digital”, explicou o CEO da Microsoft, Satya Nadella. “A capacidade de ter o poder de computação, lógica e raciocínio onde os dados estão, está transformando seus negócios. Este é o poder da intelligent cloud a trabalhar com a intelligent edge“.

A nova tecnologia funcionará como uma espécie de “olho” inteligente que localiza todos os momentos dos trabalhadores e do material e de forma a “melhorar a segurança e bem-estar” da empresa enviará alertas em caso de risco para o normal funcionamento da empresa.

A Microsoft sublinha que esta tecnologia será especialmente benéfica para a otimização do trabalho médico, podendo vir a salvar vidas.


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Grupo "Anonymous" alerta para o início da terceira guerra mundial


Num vídeo divulgado no Youtube, o grupo cibernauta "Anonymous" alerta para uma possível terceira guerra mundial desencadeada pelo governo norte-americano e pela Coreia do Norte.

"Todos os sinais de uma guerra na península coreana estão a surgir. O conflito será feroz, brutal e rápido. Será devastador tanto para a economia como para o ambiente", ouve-se no início do vídeo narrado por uma voz "computorizada", ao estilo habitual do grupo de "hackers".

Ao longo dos seis minutos da gravação, o narrador insiste que o último míssil balístico intercontinental lançado pelos norte-americanos na semana passada, o Minuteman III, foi um sinal claro de que uma guerra de dimensões globais está prestes a surgir e que os cidadãos serão os últimos a perceber.


O grupo sugere ainda que países como a China e o Japão já se preparam para o pior. "A China já pediu aos seus cidadãos residentes na Coreia do Norte para voltarem para o país", esclarece o grupo cibernauta no vídeo.

A gravação termina com a mensagem habitual do grupo: "nós somos Anonymous. Somos uma legião. Nós não esquecemos. Nós não perdoamos. Esperem por nós."

Recorde-se que em janeiro de 2017, os "Anonymous" deixaram várias mensagens ameaçadoras a Donald Trump, na rede social Twitter.



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Há um cheiro a Watergate em Washington, 45 anos depois



Tal como Nixon, Trump afastou o responsável por uma investigação de que é alvo. Em Washington, vem à memória o escândalo do Watergate, que não acabou bem para o Presidente dos EUA.

O director do FBI James B. Comey estava numa reunião em Los Angeles quando uma televisão na sala transmitiu a notícia de que tinha sido despedido esta terça-feira pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Comey, que cumpria o terceiro de dez anos de mandato, soltou uma gargalhada e pensou tratar-se de uma partida. Mas de imediato, membros do seu staff aproximaram-se e pediram a Comey que os acompanhasse a uma sala ao lado, segundo conta o New York Times esta quarta-feira. Instantes depois, o até ontem director do FBI recebia a confirmação do seu despedimento.

A aparente incredulidade de Comey perante a notícia da sua demissão sublinha a surpresa que com que a decisão de Trump foi unanimemente recebida. Oficialmente, e de acordo com cartas prontamente divulgadas pela Casa Branca, o Presidente dos EUA despediu o director do FBI após uma recomendação do procurador-geral Jeff Sessions. O motivo apontado é uma suposta quebra de confiança em Comey pela forma como este geriu a investigação aos e-mails da candidata presidencial democrata Hillary Clinton (primeiro afirmou que a antiga secretária de Estado não deveria ser acusada de crime algum, depois incendiou a campanha eleitoral ao anunciar a reabertura do processo, a 11 dias da votação). No entanto, Trump beneficiou eleitoralmente da polémica gestão desse dossiê, que lesou a imagem da adversária, tendo até elogiado Comey, publicamente e por diversas vezes, pela condução do processo. “O que ele fez recuperou a sua reputação”, elogiava Trump à data. (Na semana passada, Comey defendeu no Senado a decisão de reabrir a investigação ao caso dos e-mails.)

Em Washington, no Congresso e nos jornais, as atenções viram-se antes para outro caso: a investigação do FBI à interferência russa nas eleições de Novembro, onde o cerco a Trump e aos seus associados continua a apertar. Terá o Presidente dos EUA recorrido a uma 'bomba atómica' para travar um processo cada vez mais incómodo?

As declarações públicas do chefe de Estado não ajudam à sua defesa. O despedimento do director do FBI surge um dia depois de Trump ter afirmado que o caso russo não passa de uma “conspiração” e ter questionado quando é que a suposta “charada paga pelos impostos dos contribuintes [iria] parar”. Mas nem é necessário recorrer, uma vez mais, ao Twitter de Trump. Basta ler a carta que o Presidente enviou a Comey na terça-feira, em que este anuncia a sua decisão: “Apesar de agradecer que me tenha informado, em três ocasiões distintas, que não estou sob investigação, não deixo de concordar com a avaliação do Departamento de Justiça de que não está não está apto para liderar de forma eficaz”. A investigação referida é a da interferência russa no processo eleitoral, e sobre o caso dos e-mails de Hillary não há qualquer menção na missiva.

É difícil encontrar precedentes para o que aconteceu ontem em Washingon. Em 1993, Bill Clinton também despediu um director do FBI, William Sessions, mas em causa estava um escândalo de uso indevido de fundos públicos por parte do responsável da agência federal de investigação. 

Há, no entanto, outro caso que é recordado insistentemente desde a noite de terça-feira: o Watergate, que levou à primeira e única demissão de um Presidente norte-americano. A 20 de Outubro de 1973, Richard Nixon afastou Archibald Cox - não o director do FBI (o fact-check é sublinhado pela Biblioteca e Museu Presidencial Nixon), mas antes o procurador especial que conduzia a investigação ao envolvimento do Presidente republicano no assalto aos escritórios do Partido Democrata, e à tentativa de o encobrir. Em todo o caso, estabelece-se o paralelo entre dois Presidentes que tentam travar processos incómodos de que são alvo.


Mas mais importantes do que as referências nas redes sociais, onde o termo "nixonian" viralizou, são as declarações de altos responsáveis democratas e republicanos. 

Mesmo entre colaboradores próximos de Trump surgem referências ao Watergate. "Dick Nixon está a sorrir algures", tweetou Roger Stone, o homem que prepara dossiês para os republicanos sobre os 'esqueletos no armário' dos adversários eleitorais democratas. Ainda no campo republicano, mas na facção crítica de Trump, o antigo candidato presidencial John McCain afirma que "o timing do despedimento [de Comey] é profundamente preocupante". 

"Estou preocupado com o timing e a justificação da demissão do director Comey", declarou ainda o senador republicano Richard Burr, presidente da comissão do Senado para os serviços secretos, que considera o afastamento do director "uma perda para o FBI e para a nação".

É contudo do campo democrata que, sem surpresa, surgem as críticas mais veementes. Para o senador Bernie Sanders, adversário de Hillary nas primárias de 2016, a decisão de despedir o director do FBI neste momento “levanta sérias questões sobre o que está a Administração [Trump] a esconder”. O democrata considera "claro" que o nome que será escolhido por Trump e confirmado pelo Senado "não irá conseguir conduzir objectivamente a investigação à Rússia".

"O despedimento de Comey mostra o quanto a Administração Trump está assustada com a investigação da Rússia", disse por seu turno o senador democrata Tim Kaine, candidato a vice-Presidente em 2016.

Fala-se mesmo em "crise constitucional", como referiu o senador democrata Richard Blumenthal. Ron Wyden, senador do Oregon e outro membro da comissão do Senado para os serviços secretos, já veio exigir uma audição pública sobre o estado da investigação às ligações entre Rússia e Trump à data em que Comey foi despedido.

De Moscovo também surgem críticas. Não do Kremlin, mas de Edward Snowden, o antigo agente da NSA que fugiu dos EUA e revelou a dimensão global da máquina de espionagem electrónica de Washington. O dissidente lembra que Comey tentou, "durante anos", coloca-lo na prisão, mas que ainda assim é contra o seu despedimento. “Se eu me consigo opor ao seu despedimento, vocês também [conseguem]”, argumenta. Noutra mensagem, Snowden afirma que "todos os norte-americanos devem condenar esta interferência política no trabalho da agência".

Entretanto, Trump tem marcado para as 15h30 (hora de Lisboa) desta terça-feira um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, na Casa Branca.

No editorial desta quarta-feira, e seguindo os apelos de vários senadores como os democratas Chuck Schumer e Blumenthal, o New York Times apela a uma “investigação minunciosa e imparcial à interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016 em nome de Donald Trump”, em nome da “credibilidade da mais velha democracia do mundo”, agora conduzida por um procurador especial. O diário de referência nova-iorquino também não crê na justificação avançada pela Casa Branca: “Comey merece todas as críticas pela forma como conduziu a investigação [aos e-mails de Hillary], mas essa não é, certamente, a razão pela qual Trump o despediu”.

Por agora, Trump e os seus apoiantes recorrem precisamente às críticas democratas a Comey, e à forma como este conduziu a investigação a Hillary, para justificar o afastamento do director do FBI.

fonte: Público

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Novos computadores podem apagar pensamentos sem o seu conhecimento, alertam especialistas


Novas leis de direitos humanos são necessárias para proteger informações sensíveis na mente de uma pessoa de 'recolha, armazenamento, uso ou até mesmo exclusão não autorizados'

"Você não pode tocar a liberdade de sua mente", escreveu o dramaturgo John Milton em 1634.

Mas, quase 400 anos depois, avanços tecnológicos em máquinas que podem ler nossos pensamentos significam que a privacidade do nosso cérebro está sob ameaça.

Agora, dois éticistas biomédicos estão pedindo a criação de novas leis de direitos humanos para garantir que as pessoas sejam protegidas, incluindo "o direito à liberdade cognitiva" e o "direito à integridade mental".

Os cientistas já desenvolveram dispositivos capazes de dizer se as pessoas são politicamente de direita ou de esquerda. Numa experiência, os pesquisadores conseguiram ler a mente das pessoas para contar com 70% de exactidão se planejar somar ou subtrair dois números. 

Facebook também revelou recentemente que tinha trabalhado secretamente em tecnologia para ler as mentes das pessoas para que elas pudessem digitar apenas o seu pensamento

Médicos pesquisadores conseguiram recolher parte do cérebro de um homem paralisado com um computador para permitir que ele estimule os músculos de seu braço e pudesse movê-lo e se alimentar.

Os eticistas, escrevendo num artigo na revista Life Sciences, Society and Policy, enfatizaram as "oportunidades sem precedentes" que resultariam da "distribuição onipresente de neuro-aplicações mais baratas, escaláveis ​​e fáceis de usar" que tornariam a neurotecnologia " Intrincada em nossa vida quotidiana ".

No entanto, tais dispositivos estão abertos ao abuso num grau assustador, como os académicos deixaram claro.

Eles alertaram que "hackiar o cérebro maliciosamente" e "usos perigosos da neurotecnologia médica" podem exigir uma redefinição da ideia de integridade mental.

"Sugerimos que, em resposta às possibilidades emergentes de neurotecnologia, o direito à integridade mental não deve garantir exclusivamente a protecção contra doenças mentais ou lesões traumáticas, mas também contra intrusões não autorizadas no bem-estar mental de uma pessoa, através do uso de neurotecnologias, especialmente se tais intrusões resultarem em Físico ou mental para o usuário de neurotecnologia ", escreveram os especialistas em ética.

"O direito à privacidade mental é um direito de privacidade neuro-específico que protege as informações confidenciais ou sensíveis na mente de uma pessoa de recolha, armazenamento, uso ou até exclusão não autorizada em formato digital ou de outra forma".

E advertiram que as técnicas eram tão sofisticadas que as mentes das pessoas podiam ser lidas ou interferidas sem o seu conhecimento.

"As intrusões ilícitas na privacidade mental de uma pessoa não necessariamente envolvem coerção, pois poderiam ser realizadas sob o limiar da experiência consciente de uma pessoa", escreveram no artigo.

"O mesmo vale para as acções que envolvem danos à vida mental de uma pessoa ou modificações não autorizadas da continuidade psicológica de uma pessoa, que também são facilitadas pela capacidade das neurotecnologias emergentes para intervir no processamento neural de uma pessoa na ausência da consciência da pessoa".

Propuseram quatro novas leis de direitos humanos: o direito à liberdade cognitiva, o direito à privacidade mental, o direito à integridade mental e o direito à continuidade psicológica.

O professor Roberto Andorno, académico da Faculdade de Direito da Universidade de Zurique e co-autor do artigo, disse: "A tecnologia de imagem cerebral já chegou a um ponto onde há discussão sobre sua legitimidade no tribunal criminal, por exemplo como uma ferramenta para avaliar criminal Responsabilidade ou mesmo o risco de reincidência. 

"As empresas consumidoras estão usando imagens de cérebro para 'neuromarketing' para entender o comportamento do consumidor e obter respostas desejadas dos clientes. 

"Existem também ferramentas como 'descodificadores cerebrais' que podem transformar dados de imagem cerebral em imagens, texto ou som. 

"Tudo isso pode representar uma ameaça à liberdade pessoal que buscamos abordar com o desenvolvimento de quatro novas leis de direitos humanos".

E seu colega Marcello Ienca, do Instituto de Ética Biomédica da Universidade de Basileia, disse: "A mente é considerada o último refúgio da liberdade pessoal e autodeterminação, mas os avanços na engenharia neural, imagens cerebrais e neurotecnologia colocam a liberdade de A mente em risco. 

"Nossas leis propostas dariam às pessoas o direito de recusar a neurotecnologia coercitiva e invasiva, proteger a privacidade dos dados recolhidos pela neurotecnologia e proteger os aspectos físicos e psicológicos da mente de danos causados ​​pelo mau uso da neurotecnologia".

Ele admitiu que tais avanços podem soar como algo fora do mundo da ficção científica.

Mas ele acrescentou: "Neurotechnology caracterizado em histórias famosas, em alguns casos, já se tornou uma realidade, enquanto outros estão cada vez mais perto, ou existem como protótipos militares e comerciais. 

"Precisamos estar preparados para lidar com o impacto que essas tecnologias terão sobre nossa liberdade pessoal".

fonte: Independent

quinta-feira, 13 de abril de 2017

EUA lançam no Afeganistão a maior bomba não nuclear existente


Pentágono assume que utilizou aquela que é conhecida como "mãe de todas as bombas"

As Forças Armadas norte-americanas anunciaram esta quinta-feira que utilizaram no Afeganistão aquela que é a mais potente bomba não nuclear do seu arsenal, numa série de ataques a complexos do ISIS.

O engenho, de 10 toneladas, tem a designação oficial de GBU-43 Massive Ordnance Air Blast Bomb, cuja sigla dá MOAB, que lhe vale a alcunha Mother of All Bombs - "a mãe de todas as bombas".

O porta-voz do Pentágono, Adam Stump, citado pela AP, afirmou que a bomba foi utilizada contra esconderijos em cavernas do Estado Islâmico na província de Nangarhar, próxima da fronteira com o Paquistão.

Esta é a primeira vez que a bomba é utilizada em cenário de guerra. Até agora, só tinha sido detonada em testes controlados.

O líder das forças internacionais no Afeganistão, o general john Nicholson, especificou que a bomba foi usada contra cavernas e bunkers do Estado Islâmico. "Esta é a munição certa para eliminar estes obstáculos e manter o ímpeto da nossa ofensiva contra o ISIS", disse, citado pela Reuters.

Não são conhecidos ainda com exatidão a extensão dos danos realizados por este ataque.


sexta-feira, 10 de março de 2017

Wikileaks: CIA pode controlar iPhone, Android, TV e computador de qualquer pessoa


O WikiLeaks revelou na primeira parte dos seus arquivos sobre a CIA que a Agência Central de Inteligência dos EUA teria desenvolvido um vírus capaz de infectar telefones, telemóveis, televisores inteligentes e computadores para roubar dados dos usuários e controlar os aparelhos à distância.

De acordo com o site, a Divisão de Dispositivos Móveis (MDB) da agência americana já realizou inúmeros ataques para hackear e controlar uma série de modelos de smartphones. Os aparelhos contaminados, sejam estes iPhones ou Androids, estariam recebendo instruções para enviar à CIA informações como geolocalização e comunicações de áudio e texto e até para activar secretamente a câmara e o microfone. 

Através das técnicas empregadas, seria possível contornar os sistemas de segurança de aplicativos como WhatsApp, Telegram, Wiebo, Confide, Cloackman e Signal (aplicativo que havia sido elogiado por Edward Snowden por conta da sua segurança) e roubar as mensagens antes da aplicação da criptografia. 

Além de telefones e TVs, a inteligência americana também teria um interesse muito grande em controlar sistemas operacionais, como Windows, Mac OS X, Solaris e Linux, e também roteadores. 

"Muitos desses esforços de infecção são reunidos pela Divisão de Implante Automatizado (AIB), que desenvolveu vários sistemas de ataque para infestação automatizada e controle de malware da CIA, como 'Assassin' e 'Medusa'", diz o Wikileaks. "Ataques contra a infraestrutura da internet e servidores da Web são desenvolvidos pela Divisão de Dispositivos de Rede (NDB) da CIA".

Todas essas operações, segundo a organização fundada por Julian Assange, não seriam possíveis se as actividades dos hackers da Agência Central de Inteligência ficassem restritas a Langley, na Virgínia (sede). Para isso, a CIA também utilizaria o Consulado dos Estados Unidos em Frankfurt como uma base para seus hackers actuarem na Europa, no Oriente Médio e na África. O local seria conhecido como Centro de Inteligência Cibernética da Europa (CCIE).

fonte: Sputnik News

sexta-feira, 3 de março de 2017

Documentos secretos da CIA podem agora ser lidos no seu computador


O presidente português Costa Gomes (à esq., de frente) recebido pelo presidente americano Gerald Ford, em dezembro de 1974: EUA acompanharam de perto a Revolução do 25 de Abril ARQUIVO DN

Agência americana disponibilizou milhares de ficheiros na internet. E há muito para ler da história recente de Portugal

Não há segredos nos milhares de documentos que a CIA colocou na internet ao alcance de todos, mas no mar de textos disponibilizados podem ainda encontrar-se surpresas. Portugal, o 25 de Abril, os anos quentes que se seguiram e os protagonistas das décadas de 1970 e 1980 estão abundantemente retratados nestes documentos.

Disponibilizados em janeiro (que podem ser vistos no endereço https://www.cia.gov/library/readingroom/), estes ficheiros antes só estavam acessíveis a quem fosse aos Estados Unidos, como recordou ao DN o jornalista Nuno Simas, autor de Portugal Classificado - Documentos Secretos Norte-Americanos (1974-1975), editado pela Alêtheia Editores.

"São milhares de documentos e tínhamos de ir aos EUA para os consultar. Agora estão à distância de um clique e permitem fazer download", explicou Simas, sublinhando a importância desta decisão da agência americana. E que abre "um mar" de páginas e páginas à espera de serem navegadas - são 800 mil documentos, 13 milhões de páginas, entre memorandos, relatórios, recortes de jornais. "É preciso refinar a pesquisa", advertiu o jornalista.

A pesquisa por Portugal devolve-nos 8215 resultados. Entre estes está o "memorando" que Henry A. Kissinger, com o selo da Casa Branca, em que o então secretário de Estado americano dava conta do "coup in Portugal" - o golpe era o do 25 de Abril e já estava nas ruas há quatro dias, quando o governante da administração de Gerald Ford aponta a principal causa para "o golpe praticamente sem derramamento de sangue" como sendo as "políticas de Lisboa para África e as divisões entre os militares".

Mais à frente, Kissinger apontava que os militares "insurrectos", "soberbamente organizados e bem conduzidos", "tomaram o poder de surpresa". E numa nota de alívio o governante sublinhava que, até aquele momento, "o novo governo parece ter o controlo completo". Nuno Simas notou que os americanos não estiveram "muito longe" na parte de África, "foram mais corretos", do que "na avaliação interna" e na perceção do "poder que cada um tinha". "Houve um erro de cálculo. Foram um bocadinho ao lado. Acharam que podiam ter Spínola como aliado", exemplificou.

Irão-Contras em Lisboa

Sem antecipar grandes revelações, há coisas que ainda merecem um olhar atento na pesquisa de filigrana que é necessário fazer. Por exemplo, no caso do Irão-Contras, um escândalo que abalaria nos anos 1980 a administração Reagan, por financiamento dos Contras nicaraguenses, quebrando um embargo de armas ao Irão. "Uma das primeiras notícias", agora disponibilizada pela CIA, "aponta logo para voos com passagem por Lisboa", anotou Simas. "Até que ponto Portugal sabia desta operação", questionou-se o jornalista.

Estes ficheiros foram considerados como "não confidenciais" já nos anos 1990 e então disponibilizados ao público, mas a desclassificação foi parcial - no referido memorando sobre o 25 de Abril está lá a indicação: "Sem objeção para desclassificação em parte."

A sua consulta era difícil, mesmo para americanos. Os documentos só podiam ser vistos e lidos num departamento da CIA, a partir de quatro computadores do edifício dos Arquivos Nacionais, em College Park, no estado do Maryland, mas a pressão de jornalistas, investigadores e da Muckrock - organização não governamental que processou a agência em 2014 para poder ter acesso a estes ficheiros - resultou nesta divulgação em massa.

"O acesso a esta importante coleção histórica já não está limitado pela localização geográfica", admitiu Joseph Lambert, diretor da gestão de informações da CIA, segundo um comunicado citado pela CNN. Nenhum dos documentos disponibilizados nesta base de dados Crest (CIA Records Search Tool - em português, ferramenta de pesquisa dos registos da CIA) deixou de ser secreto recentemente.

A leitura dos analistas da CIA e do Departamento do Estado americano era muito feita a partir de "como é que isso afeta os interesses dos americanos", registou Nuno Simas, como por exemplo numa "análise circunstanciada às eleições de 1986", em que Mário Soares é eleito presidente da República, com o apoio do PCP na segunda volta. Segundo a agência Lusa, a CIA alertou, nesse ano, que a vitória de Mário Soares nas eleições presidenciais não apagava os riscos de instabilidade política em Portugal, e antecipava um conflito, no futuro, com o seu "inimigo político" Cavaco Silva. Pelos vistos, aqui acertaram.


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